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sábado, 21 de abril de 2018

Ultima postagem do BaLaio


Morreu Maria. Levando consigo as flores, as cores. Há de ser forte, afinal. Sussurrou em meus ouvidos sua última prece. Deixou em meus cabelos seu último toque. Morreu Maria. Matou a gente naquele beijo, aquele demorado, carinhoso, tenso – intenso. Eram os últimos minutos de metade de uma vida. E lá se foi Maria, levando tudo embora. Há de ser forte.  Revivi nossa vida nas horas de hoje, todos os detalhes que pude. Senti cada alegria e cada dor. Há de ser forte. É preciso estar de peito aberto para se permitir sentir tudo de bom e ruim. Não existe amor ou noção do que isso realmente significa sem que se permita sentir. E eu precisava disso, mas só hoje. Há de ser forte para enterrar aquilo que morreu. A vida é real. E se o amor não pode sobreviver a uma vida real ele também não o é. Não existem vidas paralelas. Mundos fantásticos. Mas há de ser forte. Forte para se deixar morrer. Forte para aceitar que não germinará nem mais uma flor, nessa terra seca que hoje jaz, Maria.

sábado, 17 de junho de 2017

Não te juro amor, mas te jurupinga


Carta.


Pensei em te escrever uma carta, mas eu lembrei que não tenho o teu endereço. Muita coisa mudou desde a última vez. Não sei nem se ainda mora na mesma cidade. Pensei em ligar, mas recordei que nunca tive teu número.  E aí? Como vou te falar? Falar essas verdades tão expostas, tão engessadas pelo tempo.
Sabe que outro dia eu te vi na estação? Saí correndo, abrindo espaço entre as pessoas, na tentativa falha de te alcançar. Observei ofegante, aquela que para mim era tua materialização e num piscar de olhos, tudo se desfez. Não era você. Fiquei perdida. Estática. Precisei de uns minutos para me apossar da realidade que estava diante de mim. Coração partido mais uma vez – foi a miragem da saudade constante.
Caminhei até uma praça próxima, sentei num banco qualquer. Tentando aliviar a pressa dos meus pensamentos. Essa angústia que me visita vez em quando. Crianças corriam de um lado para outro, dispersou um pouco minha atenção, e aos poucos, fui tomando o controle de mim mesma outra vez.
Lembrei do dia que passeamos tranquilas num parque, por entre as árvores e as pessoas. Será que alguém notou a paixão em nossos olhos? Será que você sentia o quão apaixonada eu era? Tínhamos um mundo a desbravar, tantas coisas a descobrir. Mas o que descobrimos mesmo foi como viver em mundos distantes, em realidades paralelas. Descobrimos a dureza de não ver germinar nossos sonhos, nossos planos. O sabor dos beijos deu lugar a esse gosto amargo de renúncia.  O cheiro se perdeu na dolorosa conta do tempo – do tempo que não estamos.
Queria te escrever uma carta, mas não tendo teu endereço, vou rabiscar essa saudade nas nuvens, pois ela mora no mesmo céu que te guarda. 

sábado, 3 de junho de 2017

Você me fode

Você me fode. Me fode de todas as maneiras impensáveis. Me desencontro quando te encontro em qualquer esquina. Seu olhar lascivo, que me desconcerta – inquieta. Você me fode. Fode toda minha segurança, minha autoproteção. E eu não sei o que antes sabia. E todas as minhas certezas se vão, no doce perfume que vem de você. E mesmo não querendo, eu me abro. Me desnudo aos teus pés. Refém como sempre fui. Nua, crua – tua. E você, você me fode de todas as maneiras. No escuro do meu quarto, no calar dos meus gritos, no meu gemido tímido. Essas mãos frias que não consigo esconder, esse olhar perdido quando penso em você.
Eu bebo um gole desse álcool amargo para esquecer. Esquecer que inegavelmente eu adoro quando você m e f o d e.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Confia.

Não sei que histórias eu poderia te contar, meu amor. Não sei que encantos embalariam teu sono, cairiam na tua graça. É como se outra vez eu não soubesse como te alcançar, te acompanhar. Me ensina. Me espera. Confia.