Eu bebo mais um gole desse álcool, e você não me vem. Seguro esse copo, e seu corpo me foge, tuas mãos se escondem, e eu te procuro, não te encontro, volto a beber. Não quero a lucidez, quero teu beijo me tirando o fôlego, tuas pernas se misturando com as minhas, teu suor derretendo na minha pele.
Estou quente, o álcool começa a fazer efeito, é defeito. Você me deixou e eu já nem me encontro e tanto faz quantos goles eu beba, essa falta de você não muda, não te afogo no meu copo, te resgato a cada gole, a cada garrafa encostada ao chão.
Fiquei entregue na noite, acabou a festa, ninguém me estendeu a mão. Chamei por você, você não me veio, perdi o freio, desci pela contramão. Estacionei junto a tua janela, pude ver o reflexo dela nas tuas paredes, você a beijava, a possuía, e eu me ia como um vulto na confusão dos pensamentos, das sensações sentidas. Eu precisava beber, beber pra esquecer, esquecer de você. Esquecer que te amo, esquecer de pensar nessa falta que você me faz, nesse vazio que não se preenche por mais goles que eu beba. Espera, me encontra na esquina, só mais uma palavra, um último abraço, só mais um adeus.
A cada gole você parece mais longe, mais inacessível. A cada gole eu fico mais só, mais perdida dentro de mim. A cada gole eu percebo que você não me vem, não importa o que eu faça, você não vem. E eu volto a beber, só mais um gole.