Pages

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Soneto



Gênio das trevas lúgubres, acolhe-me,
Leva-me o esp’rito dessa luz que mata,
E a alma me ofusca e o peito me maltrata,
E o viver calmo e sossegado tolhe-me!

Leva-me, obumbra-me em teu seio, acolhe-me
N’asa da Morte redentora, e à ingrata
Luz deste mundo em breve me arrebata
E num pallium de tênebras recolhe-me!

Aqui há muita luz e muita aurora,
Há perfumes d’amor - venenos d’alma -
E eu busco a plaga onde o repouso mora,

E as trevas moram, e, onde d’água raso
O olhar não trago, nem me turba a calma
A aurora deste amor que é o meu ocaso!


Augusto dos Anjos



***Grande poeta! Simplesmente maravilhoso, que enche minh´alma com suas poéticas lúgubres.




2 comentários:

Arthur Matos disse...

Oi, mais uma vez passei aqui, e achei seu blog interessante, estou colocando dentro dos que eu leio.
Dê uma passadinha lá no meu para ver o que você acha, aceito opiniões se devo mudar algo...

Parabéns

Tzimisce disse...

nhaaaa, eu tenho o livro daquela editora q faz livros baratos de augusto dos anjos... sempre que eu to afim abro aleatoriamente e começo a ler seus versos escrotos :P