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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Triacanto


Faz trinta dias que não nos falamos, ou seriam trinta anos? Sinceramente já nem lembro. Perdi a noção do tempo, e não sei ao certo quando isso tudo começou.

Olho para as minhas mãos tentando encontrar algum vestígio de mim mesma. Algo que faça eu me sentir em mim outra vez. Não dá, não consigo. Abrigo desgraçado foi esse que me acostumei contigo. Agora fico assim, sem saber de mim.  Ansiosamente bebo copos e mais copos de café, meus pulmões pedem socorro contra esse cigarro que me mata e não te tira de dentro do meu peito. Você está lá, sempre vivo e dilacerante. Desgraçado. Estou me querendo de volta, só não me encontro no meio de toda essa sujeira. Copos, papéis, pedaços de mim... Tudo espalhado nesse chão turvo.

Ah! Muito fácil pra você ir embora. Muito fácil esquecer o caminho de volta. Poderia ao menos deixar o mapa de mim? Desgraçado. Não me reconheço nem quando olho no espelho. Ferida exposta. Piedade!

Quanto tempo mesmo? Trinta dias? Ou seriam trinta anos? Roubou minha noção, meu chão. 
O que é isso? Calma, espera! Foi-se levando a luz, foice me cortando no centro. Quanto sangue, quanto de mim se esvaindo. Desgraçado. Me deixou afogada na angústia do desengano. Quanto tempo? Trinta dias ou trinta anos?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Fome

Gosto quando a tua boca quente sacia a minha fome.
Come!