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domingo, 20 de março de 2016

Descompasso - I


São monstros.  Medonhos,  raivosos e insanos.  Me chamam.  Finjo que não ouço,  finjo que não estão.  Jogo sujo,  golpe baixo,  acredito.  Não quero isso.  Esse tremor,  pavor desconcertante.  Sigam,  não me enxerguem!  Passem adiante.  

Algo que cai,  um estrondo que faz.  Chama minha atenção.  Disperso os olhares,  desvio os pensamentos. Oração.  Esse é o momento mais propício de oração.  Peço por mim e por eles. Vários minutos até que enfim consiga relaxar.  Mas o corpo já tão contraído na tensão.  Me dói.  Dói cada músculo. A boca cheia d'água indica que estou prestes a vomitar.  E no fundo é isso que eu quero mesmo,  quem sabe não sai tudo.  Toda essa angústia. Me embrulha,  mas não vem.  E é algo a mais que sou obrigada a guardar. Parem esse trem,  eu quero descer. Parem!     Me sinto inerte nada em mim se mexe,  a não ser meus pensamentos acelerados e meu coração que parece querer sair do peito. Não posso chorar,  não posso chorar.  Repito incansavelmente para mim mesma. Nó na garganta.  Mais isso?  Ah!  Está difícil.  Vou agora apressada pelas ruas,  tenho que chegar em casa.  Preciso.  Banho gelado.  Está escuro no quarto e logo procuro minhas cobertas. Penso em tudo como se fosse um pesadelo. E que talvez agora eu esteja acordando,  que alívio!  Tento quase não me mexer,  tenho receio que tudo volte. Agora só penso em dormir,  dormir por uma semana,  quem sabe.

Um comentário:

Nany C. disse...

isso é atordoador... aflitivo.
ninguém imagina como momentos assim afligem e adoecem nosso corpo. nossa alma.

tanto tempo sem vir por aqui e me pegou de surpresa um texto assim...

beijos o teu coração, Tatiane.