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terça-feira, 19 de abril de 2016

Não faz sentido


Apagaram-se as luzes. Na parede exposta, teu reflexo altamente definido. Pisquei firmemente. Precisava a todo custo afastar de mim aquela visão. Nada mudou. Você se movimentava na escuridão do quarto, lá no fundo de mim. Eu me sentia dilacerar, parte a parte. Mil pedaços. Uma avalanche de pensamento e sentimentos me inundavam, transbordavam por entre os quadros e espaços. Me recostei num canto, acuada, indefesa. Tentei disfarçar, eu quis esconder. Mas cada pedaço de mim me denunciava, eu transpirava você. O suor me escorria pela face, a respiração no descompasso do compasso daquele beijo. Eu lutava, precisava me realinhar. Ponderar essas visões, emoções. Lembrei do teu cheiro, corei. Não faz sentido, esse sentido que ainda pulsa você. Dilacerada no final da tarde eu vou. O quarto escuro se preenche de cores e cheiros, de lembranças e desejos.

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